segunda-feira, 30 de junho de 2014

É um barato Viajar e sai barato!

Já me deparei muito com os seguintes comentários:
" Tá indo viajar de novo? Que chique!"
" Não pára de viajar, isso que dá ganhar bem!"
" Quando eu tiver bastante dinheiro também vou viajar!"

Gente! Vocês já viram professor no Brasil ser rico? Vou explicar como não dispor de muito dinheiro, viajar, conhecer o mundo e ainda ter dinheiro pra viajar mais.

Primeiro: Não foque em coisas materiais. Eu não tenho carro, casa própria e muito menos um guarda-roupa cheio de roupas de marca, calçados ou qualquer coisa que aumentaria minha 'auto-estima' social e quebraria meu bolso. Além disso, não sinto necessidade  de um Iphone 5S nem de um laptop Apple, afinal os produtos de custo mais baixo fazem o que preciso também.
Sabe aquela história  de Foco, Força e Fé de quem costuma malhar e postar no facebook?! Pois é, para viajar funciona também!
Tudo depende do que você deseja: Viajar para turismo, estudar ou trabalhar e depende também da duração da viagem, mas as dicas a seguir valem para os três casos e independem da duração da sua viagem:

- Pense em custo-benefício e não status. Um exemplo: Uma passagem para Londres com certeza é muito mais barata que uma passagem para a Tailândia, mas uma semana de gastos na Europa é muito maior que um mês de gastos na Tailândia.

- Quer viajar ou descansar? Se a sua opção for a segunda, vai pra praia, relaxa e volta, gasta pouquinho. Quer viajar, conhecer, aprender, se encantar? Então vá sem pensar em luxo. Reserve estadias em hostels (Pra quem não gosta de quarto compartilhado - que eu indico - tem os quartos individuais); faça um couchsurfing; busque emprego num hostel e fique de graça. Opções não faltam;

- Use transporte público! Táxi o tempo todo é caro em qualquer parte do mundo. Use ônibus, metrô, trem, o que estiver disponível. Se perca, conheça lugares que não esperava conhecer, aprenda a lingua e faça contatos. O máximo que pode acontecer é você se perder, pegar um táxi e voltar à sua acomodação. (Sempre tenha um cartão com o endereço)

- Não compre! Ou viajo ou compro, sempre tive que optar por isso e nunca me arrependi de escolher sempre a primeira opção. Qualquer coisas que você compra, ficará entulhada, parada e ninguém vai entender o significado daquilo como você. Quer guardar lembranças? Elas ficam na memória, nas fotos, muito mais que em objetos acumulados.

- Viaje de transportes coletivos, como ônibus, trens e até ferry. Lembre-se que no Brasil temos meios de  transporte limitados e caros, mas na maioria dos outros países as opções são muito mais amplas. Busque por companhias áerea de low-cost, trens noturnos e até ônibus convencionais - indianos também vale, por que não?

No próximo post continuarei com as dicas, com sites para buscarem passagens baratas, valores e até opções de estadia seguras e confiáveis.

Sem mais desculpas para não viajar pessoal!




quarta-feira, 18 de junho de 2014

Paquistão? Quase!

Índia, Afeganistão, Paquistão, Uzbesquistão, tudo parece a mesma coisa pra quem mora no Ocidente, não é? Pois é! Pra mim também parecia, mas ainda bem que as viagens me fazem, acima de tudo, aprender!

Vivia em Punjab- Norte da Índia. De onde vivia em 2 horas de viagem chegava à fronteira com o Paquistão e, claro, como um bom ponto turístico, não podia deixar de ir! Todos os dias, às 17h havia uma cerimômia de 'fechamento de portões', ou seja, tanto o portão do lado indiano, quanto o portão do lado paquistânes eram fechados - claro que tudo isso com direito a uma cerimônia divertida, indianos correndo, guardas engraçados, barulho e muito calor!


















Lado Paquistânes

A parte mais interessante é ver os dois lados dos portões, saber que era apenas um país há muitos anos e que agora estão divididos assim. E principalmente, a clara divisão de culturas, seja pelas vestes, modo de agir ou caracteristicas físicas. Do lado paquistanes, por se tratar de territorio muçulmano, mulheres de burca, menos população e digamos, mais organização. Já do lado indiano, um vuco-vuco, um barulho e aqueles traços físicos bem característicos.






Lado Indiano

Segundo a Wikipédia: fronteira entre Índia e Paquistão é a linha que limita os territórios da Índia e do Paquistão, estabelecida aquando da independência dos dois estados a partir do Raj Britânico, em 1947. As relações entre os dois estados são muito tensas e a passagem na fronteira de pessoas e bens é estritamente limitada."

Gato!
Lindo!




segunda-feira, 16 de junho de 2014

No Excuses - Sem desculpas

É com autoridade, a partir de agora, que eu afirmo: “Não há desculpas para não fazer um intercâmbio!”. A questão não deve ser: “e se for uma experiência ruim?”; ou: “e se eu não conseguir tempo para fazer o meu intercâmbio?” CONVERSA FIADA! A pergunta certa é: “Qual é o meu sonho?”. Se você não vencer o seu medo e for persistente, você não vai chegar lá. E digo isso também para quem quer um emprego melhor, uma casa ou se formar, ao invés de realizar um intercâmbio.
E aí as pessoas listam inúmeros problemas, como: falta de tempo para se preparar, tempo curto para uma experiência, falta idioma, falta dinheiro, a mãe não deixa, o pai não quer. Para com essa ladainha! Deixa eu te contar sobre as minhas barreiras:
- Quando eu falei para o meu pai sobre a minha viagem ele franziu as sobrancelhas e de supetão perguntou: “E o trabalho? E a aula? Como ficam?”. Foi um trabalho árduo fazê-lo aceitar. Dizer a um pai que você vai abandonar emprego e trancar a faculdade é ter muita coragem, ainda mais se for um pai como o meu. Enfim, sobre a faculdade foi fácil, afinal você pode retomá-la quando voltar. Já o emprego é preciso demonstrar a confiança de que você vai conseguir um melhor ainda. Argumentei sobre a experiência que eu iria adquirir culturalmente e profissionalmente, e o projeto me ajudou bastante, afinal eu terei a responsabilidade de conseguir investidores para uma ONG egípcia.
Mas são detalhes, você não precisa abandonar tudo para fazer o seu intercâmbio, há projetos de seis semanas e você pode argumentar com o seu chefe sobre o profissional que ele teria no final de tudo. Pode ainda trazer um trainee para dentro da sua empresa, no seu lugar, para não deixar lacuna e garantir o seu lugar quando retornar.
Para você que reclama do preço de passagens e do intercâmbio, admito que esse fora o meu maior medo. Mas depois que você pesquisa passagens mais baratas, que descobre que pode parcelar em muitas vezes e que o preço se torna mais acessível quando é feito desse jeito, fica aliviado. As pessoas pediram para eu considerar a hipótese de adiar o meu intercâmbio. Juro pra você, que se eu adia-se dessa vez eu não o faria mais, porque talvez eu arranjasse um emprego melhor ou começasse um estágio, e lá se vai o sonho.
Quanto ao idioma você pode praticar com colegas, familiares, trainees que já viajaram ou que estão na sua cidade. Existem cursos online gratuitos de praticamente todos os idiomas. Você pode ir para Portugal, África ou para a América Latina e de bônus desenvolve o espanhol. Ainda mais com os programas de intercâmbio da AIESEC que oferecem contatos com um mundo de trainees de diferentes nacionalidades.
Converse com os amigos, os voluntários da AIESEC, os seus pais, os seus colegas de trabalho. Trocar idéias, experiências, histórias, pode fazer com que você troque essa conversa de: “Ai, eu não vou conseguir, blábláblá”; por: “Hey! what’s up, my friend?”




Não importa de quem é a marca, e a quem isso vai beneficiar, só quero ouvir esse acervo novo da Legião. Parem de brigar por dinheiro e briguem por cultura.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Rishikesh "A India Zen"

Índia: 2º Maior População Mundial e 7º lugar em extensão territorial e você ainda acha que tudo é igual, onde você for? 
O Brasil no Norte é extremamente igual ao Brasil no Sul, quanto a costumes, comidas típicas, danças, crenças e até mesmo expressões linguísticas? " Não" e a Índia também não.

Nossa próxima parada: Rishikesh! Aquela parte da Índia que você houve muito falar e imagina encontrar por tudo, com templos para meditação, medicina alternativa, 'hippies' por todos os lados e acreditem pessoal:  Álcool é proibido lá, não há possibilidade de comprar nem beber lá.
Rishikesh virou área turística. As vacas continuam nas ruas,  autos - tuk tuk, rickshaw - por todos os lados, buzinadas, indianos, turistas e assim por diantes, a Índia normal. A diferença está no foco dos turistas mais 'hippies' que ali vão e trazem uma energia mais 'zen' para o ambiente. 


O rio Ganga (Ganges) atravessa o lugar e - surpreendam-se - é limpo, águas cristalinas e nada daquela história de corpos mortos, sujeira, gente tomando banho, não ali! (Isso é em Varanasi). E assim o turismo se desenvolve: rafting, camping em uma praia artificial (onde dá até para jogar vôlei de praia), hiking, escalada e até tirolesa. Um passeio inesquecível e imperdível.




Fomos de trem, um pouco mais confortável que o ônibus - ver o post 'No balanço do busão' - de classe sleeper também, totalizando 9 horas de viagem. Paramos em Daramshala, uma cidade antes, para ver a celebração no Ganga, realizada todas as noites, com flores e velas colocadas no rio. Linda!
No dia seguinte, 30 km e 3h de ônibus e chegamos a Rishikesh: rafting, meditação, caminhadas e aquela tranquilidade que é necessária após 5 meses - muito intensos - de Índia.











domingo, 8 de junho de 2014

Sorrir, Chorar, Partir ou Ficar?

            Eu conheci muitos países, muitos pontos turísticos que você sonha em conhecer também e vai conhecer com certeza, se isso for um sonho. Eu tirei muitas fotos clássicas, caminhei por lugares históricos, passei pelo BRICS, 4 continentes e 14 países. Ainda não acabei, quero mais: 30 países até os 30! (Não é tão utópico, não acham? - 9 anos e 16 países )
            Mas o que realmente me faz amar viajar são pessoas, aquelas que encontramos no nosso caminho e que por um minuto, um sorriso, um auxílio, talvez alguns dias, meses mudam nossa vida pra sempre. São anjos que passam, tornam nossos momentos inesquecíveis, nos salvam, ou apenas nos inspiram. 
           Eu sou abençoada, eu sempre tive anjos em minha vida e quando eu viajo,  as dificuldades aumentam mas os anjos se multiplicam. Eu não teria viajado tanto, eu não teria sorrido tanto e eu não estaria onde estou hoje se não fosse por eles.
            Esses anjos não falam a mesma língua, vêem o mundo de forma diferente que nós, nunca nos viram antes e a comunicação flui, os olhares se cruzam e os sorrisos são compatíveis. Acredito que isso se chama comunicar-se com o coração, amor puro, aquela história de fazer o bem sem olhar a quem e como isso faz bem - não para os outros, mas para nós mesmos! Quando mais se ajuda, mais se é ajudado e quanto mais se eu sou auxiliada, mais me motivo a ajudar e esse ciclo de amor, caridade e energias positivas nunca acaba...Como não amar viajar então?
        Alguns anjos, infelizmente, jamais encontrarei novamente e isso dói. Alguns, o destino ajuda a reencontrar e mesmo que a gente tenha mudado, o abraço é tão mais intenso pela felicidade do reencontro que as diferenças são imperceptíveis. 
           Cada despedida é um pedaço do coração que vai e sempre surge a dúvida: "É hora de sorrir pela felicidade de um encontro ou chorar pela tristeza da despedida, da incerteza do reencontro? Será que é hora de partir também ou ficar? "
            O coração terá que ser preenchido novamente, às vezes isso leva tempo, e aprender a recontrui-lo é difícil, mas não impossível, afinal quais as surpresas que nos esperam na próxima parada, no próximo amanhecer, na próxima surpresa?

"Cada um que vai leva um pouco de nós e deixa um pouco de si"


França, Suíca, Itália, Holanda, Bélgica, Inglaterra e África do Sul


Rússia, França, Índia e China



terça-feira, 3 de junho de 2014

Comemorando 21 anos na Índia


Cansado de aniversários entediantes, tradicionais ou apenas...sem graça?
Vá para a Índia! Chegue também na época mais quente do ano, tenha vários colegas de pós-graduação indianos, nenhum estrangeiro e aceite o que eles tem a lhe oferecer.

Meia noite em ponto (do dia 23 para o dia 24 de Julho - meu aniversário) dois indianos da AIESEC India em frente ao meu hostel com um bolo e, como manda a tradição, não deveriamos comê-lo apenas, mas colocá-lo no rosto do aniversariante.




No dia seguinte, mais um amigo - da AIESEC India também - trouxe mais um bolo (com direito a jogá-lo na minha cara novamente) durante o horário de aulas, uma surpresa agradável!




E meus colegas de pós-graduação não podiam deixar por menos. Fim de aula, fomos até a beira do rio que corta a cidade - sujo, fedido e polúido - dançar músicas indianas, beber tchai e rir!





Eu não sabia se ria, chorava, me divertia, fugia, mas como tudo em nossa vida, são momentos únicos, nenhum se repete e esse com certeza teria muito menos probabilidade de ser vivenciado novamente. 
Viajar nos emociona, surpreende, faz a gente nascer de novo a cada chegada e morrer um pouquinho a cada despedida. Então cabe a gente, só a gente, decidir como viver cada uma dessas 'vidas' que estamos tendo a oportunidade de conhecer.

domingo, 1 de junho de 2014

Sobe sorriso, descem lágrimas

Não há como evitar o sorriso quando observamos uma pessoa descendo do ônibus, é a melhor parte. A chegada de alguém me enche de emoção. E não foi à toa que eu dei um abraço na minha amiga argentina, prolongado por cinco confortáveis minutos e depois por horas de conversas.
Passei pela experiência de entrevistar candidatos aos projetos da AIESEC em Passo Fundo e entre todas as entrevistas, a da Malena foi, de longe, a melhor. E não foi pela fluência dela no português, foram a fluência da conversa, dos risos e cultura trocados. Depois de eu convencer ela vir a Passo Fundo, se seguiram trocas de mensagens e de músicas via celular, até a chegada dela. E depois se seguiram festas, aulas de francês, conversa sobre cada detalhe da vida, eu guardando segredos e ela tentando arrancá-los. Enfim, ganhei uma amiga (pra não cair no clichê e chamá-la de hermana).
Passaram-se algumas semanas e chegou a hora da partida. Não tinha caído a ficha que um dia ela teria que ir. Isso significava que aquele sotaque iria com ela, a risada sem fim, as caretas de uma débil mental, a confiança de uma irmã, os conselhos. Mas não posso reclamar da vida, apesar de ela me tirar (por um tempo) a presença da Male. A vida me deu uma amiga pra sempre, que ainda espero encontrar por aí.
O ônibus, com destino ao Rio, tinha chegado e eu desatei a chorar. - afinal, a partida de alguém me enche de emoção - Ela começou logo depois e, tirando sarro das nossas caras lavadas do choro, me abraçou. Esse último foi mais sofrido do que o primeiro, mas não deixou de ser confortável.

E depois de subirem sorrisos e descerem lágrimas, eu sorrio de novo. Pois ficaram as músicas, as memórias e a amizade. Você que viaja, conhece lugares e pessoas incríveis, tem que estar preparado. Eu já estou me preparando para sorrir novamente, porque é assim que funciona: sobe sorriso, descem lágrimas, sobe sorriso, descem lágrimas.

 Germano Ferreira