quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Um Réveillon em Paris tão brasileiro!


E pensar em um réveillon em Paris parece tão sensacional, mas lembrar-se que celebrar o Ano Novo sozinho, longe de famílias e amigos e sem fogos de artifício, parece tão... depressivo!
E isso foi isso o que 11 brasileiros pensavam em Dezembro de 2014. Uma gaúcha morando na China entra em contato com um passo-fundense que vive na Áustria e decidem encontrar-se no Ano Novo em Paris, pois ambos não tinham planos até então e não queriam passar essa data tão especial sozinhos. Com a ajuda de redes sociais e um pouco de sorte, destino ou coincidência – como preferirem chamar – são informados que mais dois gaúchos iriam estar no mesmo local e na mesma data. Uma família gaúcha em Paris!
Já estava bom, mas podia melhorar. Um amigo mineiro vivendo na Alemanha e outro mato grossense vivendo na Holanda decidem unir-se a aventura e iniciar 2015 com uma nova família que começava a se formar.  Mais uma vez, o site Couchsurfing foi utilizado na busca por possíveis brasileiros que estavam com esse mesmo sonho nessa mesma data e assim surgiram mais dois capixabas e três cariocas.
Pessoas que se conheciam, outras que nunca se viram antes, vindos de lugares diferentes, mas com uma paixão em comum: viajar e conhecer pessoas, criar laços, aprender, viver.
Quatro dias, muitos pontos turísticos visitados, muitos sorrisos e principalmente: muito aprendizado. Aprendemos muito sobre o mundo e claro, sobre o Brasil também, juntos. Sonhamos, planejamos próximos encontros e claro, alguns choraram, alguns preferiram não demonstrar, alguns apenas deram um simples tchau, mas todos deixaram um pouco de si e levaram um pouco dos outros. Uma família que Deus, a sorte ou a coincidência – o que você acreditar - que as viagens nos proporcionam, colocou em nosso caminho e fez nossos dias tão especiais e muito felizes.
E não importa a duração, a origem ou o destino, ao viajar sabemos que somos todos seres humanos, que todos podemos amar, ser e fazer alguém feliz apenas querendo que isso aconteça.

Espero que nossos planos, projetos de reencontros aconteçam e muito breve. Caso isso não aconteça, tenho certeza que muitas surpresas, pessoas especiais e famílias surgirão nos nossos caminhos, pois basta abrir-se para o mundo e ele abre um mundo de oportunidades para nós!





quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Natal na Terra do Papai Noel



Por muitos anos da minha vida sonhei em conhecer o Papai Noel, até me contarem que não existia. Sonhei em ver as renas sobrevoando a minha casa, mas me contaram que renas não voam e que jamais veria uma, afinal elas vivem no Polo Norte. Também desisti de sonhar com presentes incomuns, afinal eles são apenas produtos do consumismo, acessíveis a todos que tenham condições financeiras de comprá-los.
E esse ano eu decidi não dar atenção à realidade imposta pela sociedade e quebrando conceitos, fatos, ou até mesmo indo contra a teoria da minha mãe – teorias de mães são as mais eficazes do mundo e a margem de erro é quase nula, mesmo nunca ser comprovada cientificamente – de que o bom velhinho não existiria, eu o conheci! Tivemos um papo muito interessante, pedi presentes, contei sobre como havia me comportado bem todos esses anos e juro que não foi um sonho, foi real!
Meu destino: A Lapônia. A região filandesa, localizada acima do Círculo Polar Ártico, abrange território de quatro países: Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Meu destino: Rovaniemi – a capital e a terra do Papai Noel.
Localizada a 827 km da capital Helsinki (meu destino anterior), a melhor opção considerando custo-benefício foi ir de trem, classe econômica. 14 horas de viagem dentro do “Santa Claus Express” (Expresso Papai Noel), muitas paradas e uma paisagem de tirar o fôlego.
Quatro dias e três noites em Rovaniemi, uma busca incessante pela aurora boreal, sem sucesso. Conheci o Papai Noel, caí na neve, senti muito frio, mas muito menos frio do que felicidade por mais essa conquista; vivi experiências únicas, como passar 4 dias sem ver o sol e tentar adaptar meu corpo a uma realidade de uma hora diária de luz e 23 horas de escuridão. Vivi com pessoas locais – através do couchsurfing -, conheci mais estrangeiros que se tornaram amigos especiais e com quem compartilhei os mesmos sonhos e dificuldades. Nadei no rio congelado, engordei com comidas típicas e o mais importante: aprendi muito!
Percebi que quanto mais crescemos, mais limitamos nossos sonhos e fantasias. Que para ser aceito na sociedade devemos sonhar menos, ser mais realistas e até sorrir menos. E mais uma viagem me mudou. Aprendi que Papai Noel existe e as renas também, que o Polo Norte não é tão longe e que isso era um presente incomum que sempre sonhei em conquistar e eu consegui! É possível, é acessível e devemos sonhar.
Sonhe com toda a sua alma, seja humilde como uma criança na busca pelos seus sonhos mas maduro como um adulto para realizá-los.
(…) Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso.” – Antoine de Saint-Exupéry