domingo, 1 de junho de 2014

Sobe sorriso, descem lágrimas

Não há como evitar o sorriso quando observamos uma pessoa descendo do ônibus, é a melhor parte. A chegada de alguém me enche de emoção. E não foi à toa que eu dei um abraço na minha amiga argentina, prolongado por cinco confortáveis minutos e depois por horas de conversas.
Passei pela experiência de entrevistar candidatos aos projetos da AIESEC em Passo Fundo e entre todas as entrevistas, a da Malena foi, de longe, a melhor. E não foi pela fluência dela no português, foram a fluência da conversa, dos risos e cultura trocados. Depois de eu convencer ela vir a Passo Fundo, se seguiram trocas de mensagens e de músicas via celular, até a chegada dela. E depois se seguiram festas, aulas de francês, conversa sobre cada detalhe da vida, eu guardando segredos e ela tentando arrancá-los. Enfim, ganhei uma amiga (pra não cair no clichê e chamá-la de hermana).
Passaram-se algumas semanas e chegou a hora da partida. Não tinha caído a ficha que um dia ela teria que ir. Isso significava que aquele sotaque iria com ela, a risada sem fim, as caretas de uma débil mental, a confiança de uma irmã, os conselhos. Mas não posso reclamar da vida, apesar de ela me tirar (por um tempo) a presença da Male. A vida me deu uma amiga pra sempre, que ainda espero encontrar por aí.
O ônibus, com destino ao Rio, tinha chegado e eu desatei a chorar. - afinal, a partida de alguém me enche de emoção - Ela começou logo depois e, tirando sarro das nossas caras lavadas do choro, me abraçou. Esse último foi mais sofrido do que o primeiro, mas não deixou de ser confortável.

E depois de subirem sorrisos e descerem lágrimas, eu sorrio de novo. Pois ficaram as músicas, as memórias e a amizade. Você que viaja, conhece lugares e pessoas incríveis, tem que estar preparado. Eu já estou me preparando para sorrir novamente, porque é assim que funciona: sobe sorriso, descem lágrimas, sobe sorriso, descem lágrimas.

 Germano Ferreira

Nenhum comentário:

Postar um comentário