Não há como evitar o sorriso quando observamos uma
pessoa descendo do ônibus, é a melhor parte. A chegada de alguém me enche de
emoção. E não foi à toa que eu dei um abraço na minha amiga argentina,
prolongado por cinco confortáveis minutos e depois por horas de conversas.
Passei pela experiência de entrevistar candidatos aos
projetos da AIESEC em Passo Fundo e entre todas as entrevistas, a da Malena
foi, de longe, a melhor. E não foi pela fluência dela no português, foram a
fluência da conversa, dos risos e cultura trocados. Depois de eu convencer ela
vir a Passo Fundo, se seguiram trocas de mensagens e de músicas via celular,
até a chegada dela. E depois se seguiram festas, aulas de francês, conversa
sobre cada detalhe da vida, eu guardando segredos e ela tentando arrancá-los.
Enfim, ganhei uma amiga (pra não cair no clichê e chamá-la de hermana).
Passaram-se algumas semanas e chegou a hora da
partida. Não tinha caído a ficha que um dia ela teria que ir. Isso significava que
aquele sotaque iria com ela, a risada sem fim, as caretas de uma débil mental,
a confiança de uma irmã, os conselhos. Mas não posso reclamar da vida, apesar
de ela me tirar (por um tempo) a presença da Male. A vida me deu uma amiga pra
sempre, que ainda espero encontrar por aí.
O ônibus, com destino ao Rio, tinha chegado e eu
desatei a chorar. - afinal, a partida de alguém me enche de emoção - Ela
começou logo depois e, tirando sarro das nossas caras lavadas do choro, me
abraçou. Esse último foi mais sofrido do que o primeiro, mas não deixou de ser
confortável.
E depois de subirem sorrisos e descerem lágrimas, eu
sorrio de novo. Pois ficaram as músicas, as memórias e a amizade. Você que
viaja, conhece lugares e pessoas incríveis, tem que estar preparado. Eu já
estou me preparando para sorrir novamente, porque é assim que funciona: sobe
sorriso, descem lágrimas, sobe sorriso, descem lágrimas.


Nenhum comentário:
Postar um comentário