Por muitos anos da minha vida sonhei em conhecer o Papai Noel, até me contarem que não existia. Sonhei em ver as renas sobrevoando a minha casa, mas me contaram que renas não voam e que jamais veria uma, afinal elas vivem no Polo Norte. Também desisti de sonhar com presentes incomuns, afinal eles são apenas produtos do consumismo, acessíveis a todos que tenham condições financeiras de comprá-los.
E esse ano eu decidi não dar
atenção à realidade imposta pela sociedade e quebrando conceitos, fatos, ou até
mesmo indo contra a teoria da minha mãe – teorias de mães são as mais eficazes
do mundo e a margem de erro é quase nula, mesmo nunca ser comprovada
cientificamente – de que o bom velhinho não existiria, eu o conheci! Tivemos um
papo muito interessante, pedi presentes, contei sobre como havia me comportado
bem todos esses anos e juro que não foi um sonho, foi real!
Meu destino: A Lapônia. A região
filandesa, localizada acima do Círculo Polar Ártico, abrange território de quatro países: Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. Meu destino: Rovaniemi – a
capital e a terra do Papai Noel.
Localizada a 827 km da capital
Helsinki (meu destino anterior), a melhor opção considerando custo-benefício
foi ir de trem, classe econômica. 14 horas de viagem dentro do “Santa Claus
Express” (Expresso Papai Noel), muitas paradas e uma paisagem de tirar o
fôlego.
Quatro dias e três noites em
Rovaniemi, uma busca incessante pela aurora boreal, sem sucesso. Conheci o
Papai Noel, caí na neve, senti muito frio, mas muito menos frio do que
felicidade por mais essa conquista; vivi experiências únicas, como passar 4
dias sem ver o sol e tentar adaptar meu corpo a uma realidade de uma hora
diária de luz e 23 horas de escuridão. Vivi com pessoas locais – através do
couchsurfing -, conheci mais estrangeiros que se tornaram amigos especiais e
com quem compartilhei os mesmos sonhos e dificuldades. Nadei no rio congelado,
engordei com comidas típicas e o mais importante: aprendi muito!
Percebi que quanto mais
crescemos, mais limitamos nossos sonhos e fantasias. Que para ser aceito na
sociedade devemos sonhar menos, ser mais realistas e até sorrir menos. E mais
uma viagem me mudou. Aprendi que Papai Noel existe e as renas também, que o
Polo Norte não é tão longe e que isso era um presente incomum que sempre sonhei
em conquistar e eu consegui! É possível, é acessível e devemos sonhar.
Sonhe com toda a sua alma, seja
humilde como uma criança na busca pelos seus sonhos mas maduro como um adulto
para realizá-los.
(…) Todas as
pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso.” – Antoine de Saint-Exupéry


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